quarta-feira, 19 de julho de 2006

Meu Menino....

Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade,
há uma deliciosa criatura chamada menino.
Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cores sortidas,
todos os meninos têm o mesmo credo: aproveitar cada segundo
de cada minuto de todas as horas de todos os dias
e protestar ruidosamente (o barulho é sua única arma)
quando seu último minuto é decretado
e os adultos os empacotam e os metem na cama.
Meninos são encontrados em todas as partes:
em cima de, embaixo de, dentro de, subindo em,
balançando-se no, correndo em volta de, pulando para.
As mães os adoram, as meninas os odeiam,
irmãos e irmãs mais velhos os suportam,
adultos os ignoram, o céu os protege.
Um menino é a verdade com rosto sujo,
a beleza com um corte no dedo,
a sabedoria com um chiclete no cabelo...
Quando você está ocupado, um menino é uma conversa-fiada,
intrometido e amolante.
Quando você deseja que ele cause boa impressão,
seu cérebro vira geléia ou ele se transforma
em uma criatura empenhada em desmontar o mundo .
Um menino é híbrido: o apetite de um cavalo,
a disposição de um engole-espadas,
a energia de uma bomba atômica de bolso,
a curiosidade de um gato, os pulmões de um ditador,
a imaginação de Júlio Verne, o entusiasmo de um bombeiro e,
quando se mete a fazer alguma coisa,
é como se tivesse cinco polegares em cada mão.
Gosta de sorvetes, canivetes, serrotes, pedaços de pau (em seu habitat natural),
bichos grandes, papai, sábados, domingos e feriados, mangueiras de água.
Não é partidário de catecismo, escolas, livros sem figuras,
lições de música, colarinhos, barbeiros, meninas,
agasalhos, adultos e "hora de dormir".
Ninguém mais é capaz de meter num único bolso
um canivete enferrujado, uma maçã comida pela metade,
um metro e meio de barbante, um saco de matéria plástica,
três notas de dinheiro, um estilingue
e um fragmento de "substância ignorada".
Um menino é uma criatura mágica:
você pode mantê-lo fora do seu escritório,
mas não pode expulsá-lo de seu coração.
Queira ou não, ele é seu captor, seu carcereiro,
seu dono, seu patrão - um sarapintado, um nanico, um pacote de encrencas.
Mas, quando à noite você chega em casa,
com suas esperanças e seus sonhos reduzidos a pedaços,
ele possui a magia de soldá-los num segundo pronunciando apenas:
"Alô, mamãe! Oi pai!"

(ouvi essa mensagem no programa da Ana Maria Braga e amei!!! Achei a cara do meu menino Gui! Postei aqui pra não esquecer mais......
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