quarta-feira, 15 de outubro de 2008

15/10/98 - Há 10 anos atrás...

Meu vô e eu, em meados de 1977



Fazendo uma das coisas que ele mais amava: lendo um bom livro...

Hoje faz 10 anos que meu avô Sebastião foi morar com O Pai. Quase não falo nele, mas ele foi um homem que aprendi a admirar desde a infância. Um homem que cresceu no interior, na roça, mas que não se deixou limitar pelas dificuldades de uma vida de muito trabalho árduo e pouco (ou nenhum) tempo de lazer. Criou 9 filhos, sendo 8 mulheres. Foi casado por 61 anos com a minha querida Vó Selvita. Um homem que tinha amor pela leitura, e que tirava dos livros e da sua experiência de vida bons conselhos e ilustrações para dividir com os que conversava. Era sério, e não era de dar gargalhadas, mas tinha um jeito simples e interessante de achar graça nas coisas. Sua preocupação ao criar suas meninas foi ensinar a elas a importância do estudo e da independência financeira, mesmo num tempo onde a mulher era nascida e criada para ser dona de casa. Foi um bom marido, um bom pai, um bom avô. Gostaria muito que meus filhos o tivessem conhecido. Num mundo onde faltam bons exemplos, ele era exceção. Foi ele quem deu à minha família o sobrenome que tanto amo e prezo: Família Amorim. Com ele aprendi que "o antes não deve nada ao depois" (mesmo sem saber explicar exatamente o sentido disso, sempre achei interessante hehehe). Com ele (e com minha mãe, que também aprendeu com ele) aprendi a amar os livros. Aprendi que é possível ter força sem ser necessário ter um coração de pedra. É possível ser firme nas opiniões sem ser grosseiro e rude. Aprendi que é possível amar a mesma pessoa, dormir e acordar com ela, por toda uma vida. Aprendi que é possível criar, educar, disciplinar 9 filhos sem bater e castigar o tempo todo. Aprendi que é possível levar verdadeiras "rasteiras" da vida e ainda assim se reerguer sem se amargurar. Aprendi que é possível perder um filho e um neto-filho no mesmo dia e ainda assim encontrar forças pra seguir com a vida. Aprendi que uma simples ave ("Canta, Mulata!") pode se tornar um amigo importante. Aprendi que nunca é tarde para conhecer um lugar que sempre se quis conhecer (meu avô conheceu as Cataratas do Iguaçu depois dos 65). E, entre tantas outras coisas, aprendi que pra se tornar exemplo para as pessoas não é preciso ser perfeito, basta apenas ser você mesmo... enfim, uma pessoa que ensinou tanto nessa vida que viveu, não poderia ter partido num dia mais especial: o Dia do Mestre. No mais, podem se passar 10, 20, 30 anos, e muitas coisas mudarem na minha vida, e ao longo desses 10 anos me tornei mulher, esposa, adulta, mãe, e um dia serei avó também, mas uma coisa serei sempre: "neta". Agradeço ao meu Deus por ter o privilégio e orgulho de ser uma das netas de Sebastião Amorim : )


Um comentário:

Elaine disse...

Lindo!!!!!!!!!!!

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