sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Um assunto interessante...

Hoje "conheci" uma outra blogueira muito interessante!!! Ela não é minha parente, mas também é Amorim... vou até linkar o site dela aqui no meu blog, porque pretendo dar uma passada lá com muita freqüência... É a Patricia Amorim, e ela é irmã da Camila, colega do grupo Casadas e Enroladas e também colega de trabalho, e quando a Camila enviou para o grupo o post sobre cajás e crianças, achei tão legal que tô postando aqui também, acrescentando a minha reflexão sobre o tema:
A história dos cajás x crianças de hoje...
Aviso! Post grande... :)
Quando eu era pequena lá em Barbacena (haha, brincadeira), morava em bairro mais simples no Rio e via muitas pessoas carentes. Apesar de termos uma vida razoável na época, morávamos lá porque toda a nossa família também morava e porque (não vou ser hipócrita), meus pais não podiam comprar um apartamento em frente à praia de Copacabana. Haha!Um dia, eu voltava da escola toda arrumadinha e vi um menino da minha idade (devia ter uns 7 ou 8 anos) com um chinelo Havaiana daquele tipo antiiiigo, ainda azul e branco. O chinelo estava tão fino que mal se poderia dizer que aquilo era um calçado E o pior: faltava metade da sola, fazendo com que os calcanhares do menino tocassem o chão enquanto ele andava.Ele carregava uma caixa de picolés e vendia na principal rua do bairro onde eu sempre passava. Fiquei olhando a cena um tempão e me perguntando por que nenhum adulto dava um chinelo novo para ele. Na minha cabeça, adultos tinham dinheiro; crianças, não.Aquele dia em especial foi bem triste. Comecei a chorar e andar rápido para chegar logo.Já em casa, minha mãe achou que algo ruim tinha me acontecido e eu custei a conseguir falar:-Mãe, eu vi um menino que não tinha chinelos. Eu quero comprar um chinelo pra ele. Me dá um dinheiro para eu comprar um chinelo para dar a ele, mãe?-Ah, então foi isso? Eu vou conversar com seu pai hoje à noite (por que esta frase se repete em quase todas as famílias?) e depois falamos com você. Mas pare de chorar, porque choro não vai ajudar o menino.E eu fiquei pensando como eu iria arrumar um dinheiro para comprar as tais sandálias... Eu era muito pequena, só conseguia pensar em vender minhas bonecas ou papéis de carta, meus bens mais valiosos até então. Haha!Quando papai chegou do trabalho, sentamos para conversar:- Sua mãe me contou o que aconteceu hoje e eu tenho uma sugestão para te dar.- Qual é, pai?- Eu não vou te dar o dinheiro, porque eu não tenho (olha o golpe!), mas a minha idéia é a seguinte. O nosso pé de
cajás está abarrotado de frutas. Você pode colocá-las em uma caixa e ficar lá no portão tentando vender no horário que a ajudante da sua mãe puder te vigiar. Que tal?- É, boa idéia. Eu topo!Eu, como boa comerciante desde pequena, separei as frutas, peguei umas sacolas para colocar as compras dos meus possíveis fregueses, caderninho para anotar as vendas, pedi um dinheiro adiantado para ter troco e sentei à tarde em frente ao portão de casa para começar meu "trabalho".Um dia se passou e eu ia vendendo os cajás bem baratinhos, porque queria ganhar logo o dinheiro e parar de pensar no tal menino sem chinelos. E que se ele tão novo podia trabalhar, eu também poderia.Só que como todo conto de fadas tem um final feliz e um vilão, a minha história teve uma vilã: a vaca que vivia solta no terreno baldio ali perto.Dona Vaca (enorme, diga-se de passagem) se aproximou e veio certeira na minha caixinha de frutas. Eu tentava afastá-la, mas a danada já havia sentido o cheiro dos cajás de longe.Bati o portão e fiquei lá dentro, olhando a vaca comer (e babar) os cajás, desanimada porque não ia conseguir o dinheiro para o que eu queria.Meu pai chegou à noite e como no primeiro dia, sentamos para fazer a contabilidade do "negócio" dos cajás. Contei sobre a vaca e ele me perguntou:-Quanto você já juntou em dinheiro hoje?- X.- Hum, ainda não dá para comprar o chinelo...- Mas pai, eu estou com medo de levar um coice ou uma chifrada da vaca... (Que situação! Haha!). Você ficaria lá na frente de casa comigo no fim-de-semana? Assim se a vaca vier de novo, você espanta.- Vou fazer assim. Arrume os cajás na caixa, ponha o preço, quantos cajás estão lá e deixe perto da porta hoje à noite. Vou levar os cajás amanhã para o escritório e vender para os meus amigos por você. Se eu não conseguir vendê-los hoje, no fim-de-semana fico lá com você, ok?- Ok.E eu passei horas alisando e enfeitando os cajás que ele levaria. Eu precisava tornar os meus produtos atrativos e gastar a minha coleção de canetinhas coloridas Neo Pen de 12 cores (ohhh!) para enfeitar a caixa.No dia seguinte, a caixa foi levada e à noite, ele me trouxe o dinheiro: exatamente a quantia que faltava! Bingo!Finalmente, comprei as sandálias e deixei numa loja na rua onde o menino sempre passava. Todo mundo o conhecia. Problema encerrado e eu podia respirar aliviada.Muitos anos depois, quando eu já era adulta, meu pai me contou que nunca levou aqueles cajás para o trabalho, porque imaginem só a cara do chefe ao vê-lo com uma caixa toda fantasiada e repleta de frutas para vender dentro de um escritório no Centro do Rio? Não dá, né?Aquele episódio tinha servido apenas para me mostrar que nada na vida é fácil, principalmente dinheiro, que eu precisava fazer por onde para conseguir as coisas. Ele havia me dado o dinheiro sem que eu soubesse que era dele, para que eu tivesse a impressão de que tinha trabalhado e ganho.

Fico pensando no que ensinam para as crianças hoje em dia. Tudo bem, eu sei que o mundo hoje é diferente, que a realidade é outra e não quero generalizar, mas quando vejo gente mais nova pedindo dinheiro para os pais até a vida adulta, acho esquisito.Fico espantada em ver como alguns pais dão as coisas para os filhos sem ensinar nada, de mãos beijadas, às vezes ainda se desculpando por não poder dar de uma grife mais cara! E como não existe gratidão...Às vezes, eu entendo como se eles quisessem suprir algo que não tiveram e não querem que seu filho sofra. Em outras, acho que é orgulho, algo como "se todas as crianças têm, o meu precisa ter". Ou ainda, que ensinar dá trabalho.Aqui então, onde o dinheiro parece não ser problema para muitas pessoas (árabes ou não), não é raro ver adolescentes que só vão ao cinema na sala vip, só usam roupas de grife muito caras, bebem até cair quando ainda têm 14 anos e gritam com as mães ou funcionárias da família na rua. Pior: os que não são ricos, querendo seguir a moda daqueles que são. ou ter aquilo que a realidade deles não pode proporcionar. E precisam conseguir, porque senão vão ficar "traumatizados".Lembro muito deste episódio dos cajás e o no quanto ele foi importante para formar a minha personalidade.Não que eu seja "santinha", porque não sou e também já fui adolescente, com todas as agruras e desagruras que esta fase das nossas vidas nos traz (nem gosto de lembrar como eram os meus cabelos naquela época! Icc! Ainda bem que esta fase passa)Também não é inveja, porque sou feliz com o que tenho e principalmente, com o que sou.Acho que uma boa qualidade é a pessoa conseguir se relacionar com pessoas de todos os níveis sem se fazer de vítima ou fingir que tem. A qualidade é ser original, ser eu mesma, ainda que eu tenha amigos que morem em palacetes. Afinal, o palacete é deles, não meu...Será que estas crianças e adolescentes mal-educados/ orientados são um problema só daqui e do Brasil ou acontece onde você mora também?Abraço das Arábias! ;)

-- xx --
Então, depois de ler o post dela, eu também quis "falar" um pouco sobre o que penso a respeito:
Achei a atitude desse pai a mais bem pensada de todas, e espero me inspirar a ter atitudes como essa com meus filhos. O Gui tem muito mais facilidades do que eu e o pai dele tivemos na nossa infância. Principalmente o Marquinho. Ele ainda teve uma infância mais difícil que a minha, sem brinquedos e roupas novas, sem regalias, e teve que começar a trabalhar ainda criança. Hoje ele se emociona ao ver o quanto a vida dele progrediu, e que ele tem condições de dar aos filhos muitas coisas que ele nem sonhou em ter. Por outro lado, não presenteamos o Gui a todo instante e evitamos comprar brinquedos caros, e insistimos com ele o tempo todo para que não quebre / desmonte os brinquedos. Eu também não tive muita moleza não, sempre tive tarefas semanais para executar qdo criança, e foi a maneira que minha mãe encontrou para me ensinar que as coisas não vêm fácil pra nossa mão não. É claro que na época eu odiava as tais tarefas (como limpar os sapatos de todo mundo, lavar os tênis, passar roupas miúdas (meias, calcinhas e cuecas), lavar o banheiro e etc.), mas penso em fazer exatamente o mesmo com os meus filhos. Me dói quando ouço uma mãe reclamar que a filha não sabe e não quer saber de lavar as próprias calcinhas... ou que o filho não lava o prato que come, não varre um quintal, nem põe o lixo pra fora... não fui criada assim e isso não entra muito na minha cabeça não. Quem disse que é fácil ser pai e mãe?

Um comentário:

Ronise disse...

matando sua curiosidade: cheguei aqui pelo google, justamente pesquisando sobre Luísa x Luiza. hehe. é o nome que desejo dar para minha filha (no futuro, quando eu tiver uma) e estava me informando sobre qual é o certo. :)

e onde descobri que Luísa é o "certo":
http://www.sualingua.com.br/11/11_luiz.htm
http://tudosimples.wordpress.com/2008/03/25/luiza-ou-luisa-eis-a-resposta/

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